Copa do Mundo 2026 vai da promessa de inclusão ao maior fiasco diplomático do futebol

Com políticas de repressão de Donald Trump e omissão da Fifa, maior evento esportivo do planeta se transforma na Copa da exclusão

 

Quando a Fifa, entidade que controla o futebol e dona do maior evento do planeta, anunciou o aumento de trinta e duas para quarenta e oito no número de seleções que participariam da Copa do Mundo de 2026, tivemos a impressão que além da expansão política, a entidade queria reforçar uma suposta ideia de inclusão, pois havia, anos atrás, tomado a inédita decisão de escolher o continente norte-americano como sede daquela que será, ao menos em número de participantes, a maior Copa da história.

 

Porém, as políticas de repressão praticadas pelo governo Donald Trump em relação a imigrantes transformou o evento em um dos maiores fiascos diplomáticos dos últimos tempos. O tom paranoico e excludente é a principal política do país que receberá oito em cada dez partidas do torneio. Turistas são perseguidos e interrogados por horas em salas da imigração, muitos impedidos de pisar em solo americano e devolvidos aos seus países de origem. A seleção iraniana recebeu visto temporário com permanência máxima de trinta e seis horas, o que obrigará a delegação a um deslocamento que prejudica a recuperação dos atletas, pois o time asiático terá que retornar ao México após cada partida, tirando a pretensa isonomia que deve existir entre aqueles que participam da competição.

 

Como se não bastasse, na última segunda-feira, dia 8, o árbitro da Somália, Omar Abdulkadir Artan foi deportado após ser impedido de entrar nos Estados Unidos. Quando chegou ao país, que é a principal sede do Mundial, teve sua permanência negada sem que a Casa Branca, o Departamento de Estado ou a Fifa dessem desse qualquer justificativa oficial sobre o veto de acesso ao país de um árbitro oficial do torneio.

 

Sempre vigilante em relação a manifestações políticas em seus eventos, a Fifa permite que o governo norte-americano transforme a Copa do Mundo no maior evento político-esportivo desde as Olimpíadas de Berlim, em 1936, realizada sob as hostes do governo nazista de Adolf Hitler. Inclusive, a mesma Fifa que não se pronuncia contra violações de direitos humanos praticadas pelo governo do principal país sede é aquela que determina à seleção do Haiti, segundo adversário do Brasil na fase de grupos, que altere seu uniforme às vésperas da estreia, por considerar que um mero desenho estampado na camisa principal politizava o uniforme.

 

Em entrevista coletiva, na última quarta-feira, dia 10, o presidente de entidade, Gianni Infantino, não conseguiu explicar a permissividade da Fifa em relação ao governo norte-americano. Foi constrangedor ver o dirigente tentando justificar e endossar as violações cometidas pelo mandatário alaranjado da Casa Branca. Nem parece a entidade que determinou o assassinato do Maracanã, um dos maiores templos do futebol mundial, apenas para adaptar o cimento das arquibancadas para os mármores padrão Fifa.

 

Esta mesma Fifa excluiu a Rússia de suas competições usando como justificativa a invasão e guerra contra a Ucrânia, mas que realiza seu maior e mais lucrativo evento em um país que viola, dia após dia, a soberania de outros Estados, impõe sanções comerciais que atentam contra sua própria a lei, ataca minorias de seu próprio povo e elitiza, cada vez mais, suas competições e eventos esportivos, transformando tudo em um grande espetáculo de muitas luzes e pouco conteúdo.

 

Outrora, a Copa do Mundo de Futebol era um evento de integração dos povos que em congraçamento esqueciam suas diferenças e se entrelaçavam pelas arquibancadas, deixando o protagonismo com os artistas que pintavam em campo suas telas com emoção, grandes jogadas e lances de artes plásticos cravados na memória de milhares de pessoas geração após geração.

 

Hoje, essa mesma Copa do Mundo de ingressos inflacionados e inalcançáveis para a maioria da população, se materializa naquela que pode ser a maior Copa de exclusão da história. Que em campo, quando a bola rolar, esses problemas possam até ficar em segundo plano, mas que não sejam esquecidos ou varridos para debaixo dos tapetes verdes dos gramados, pois, diferente do que os idiotas pensam, futebol e política se misturam o tempo todo.

Copyright© 2007/2026 - AGÊNCIA DE NOTÍCIAS.COM.BR - Todos os direitos reservados.
Este material não pode ser publicado, reescrito ou redistribuído sem prévia autorização.